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Quando de fato você pode fazer a diferença na vida de alguém
É final de ano, abro o Instagram todos os dias e vejo publicações sobre superação, força e resiliência. Para outros, o ano foi magnífico e encantador. Para mim foram as duas coisas, mas tenho certeza que não existirão anos mais fáceis.
Se eu pudesse comparar os anos atuais com os vividos na infância, seria muito fácil elencar as coisas que mudaram drasticamente.
Nunca mais nenhum amigo me mandou mensagem dizendo que o maior problema da vida dele era o esquecimento de fazer um trabalho de escola, onde a solução seria simplesmente colocar o nome na capa do trabalho de forma que a professora não notasse a falta da habilidade na diagramação, onde os nomes das pessoas que fizeram o trabalho se encaixavam perfeitamente e o do indivíduo se espremia fazendo uma curva na margem da folha de papel almaço.
— E o que eu apresento?
— Você só segura a cartolina e vai dar tudo certo!! — e dava.
Anos depois, o mesmo amigo poderia me ligar, chorando, mas não pelo motivo da professora de história ter ligado pra sua mãe avisando que a falta de dedicação faria ele ficar duas semanas a mais na escola antes das férias de verão. Me ligaria para me informar que não haveria mais mãe para se incomodar com tal tipo de problema. A sensação amarga na boca de não poder fazer nada se instaurava. O luto é amargo.
Não sei se vocês sabem, mas alguns problemas não podem ser resolvidos colocando o nome do seu amigo na capa do trabalho.
Estamos e somos adultos agora, não existe volta.
Pode parecer que não gosto de ser adulto, mas é mentira. Eu não gosto é de pagar boletos. Das outras coisas eu gosto bastante. Gosto de ter independência, viajar o mundo e beber vinhos bons com as pessoas que gosto — estranhamente essa é minha filosofia de vida, de verdade.
Mesmo assim, existem algumas coisas na vida que me causam bastante constrangimento estomacal e reviram minhas entranhas.
Quando eu era muito criança, ali pelos meus seis ou sete anos, uma coleguinha de turma ficou doente, muito doente. Eu não entendia a magnitude da doença porque meu arcabouço de experiências de vida não me permitia, mesmo que eu quisesse, compreender o que aquela doença significava.
Eu percebia, com meus olhos, que ela agora usava um chapeuzinho azul — bucket hat — bastante delicado em todas as aulas, mesmo quando os adultos nos falavam que não poderíamos usar qualquer tipo de boné em ambientes fechados. Má educação, eles ensinavam. Portanto, eu achava ela a maior mal educada.
Em algum momento vi que ela estava sem cabelo e alguém me explicou que era por causa da doença que ela tinha. Por que meninas raspam o cabelo, me perguntava. Será que ela estava com piolho? Pronto, a doença dela causava piolho.
Lembro que ela ficou muito tempo sem ir pra aula e, naquele tempo, a nossa única forma de socializar e de saber o que acontecia na vida das outras pessoas da minha idade era indo à escola. Por isso eu pensava que ela deveria estar com muito piolho mesmo!
Mas um dia ela voltou e ficamos muito felizes.
Fomos informados que nossas brincadeiras deveriam ser leves e foi quando eu ouvi, pela primeira vez, a palavra, Leucemia. Também foi a primeira vez que entendi que doenças não são maldições que atacam pessoas ruins, atacam qualquer pessoa. Pois minha amiguinha tinha seus sete anos e ela era uma criança tão doce e cheia de vida que não acredito que tivesse cometido qualquer infração contra o universo para que ele descontasse uma pena tão grande e possivelmente mortal.
Ao mesmo tempo que a doença é algo intrinsicamente humano, a cura, nem sempre.
A medicina avançou como ciência e algumas coisas em sua prática podem ser dignas de realizações milagrosas. Meu querido amigo Joaquim, por exemplo, fez uma cirurgia enquanto ainda não havia nascido.
Apesar de toda a ciência explicada em cada pôr do sol, em cada gota de orvalho que nutre uma floresta e por mais que possamos observar nossas emoções a partir de conexões sinápticas, em cada criança que antes não conseguiria andar e agora pode por causa da ciência, ainda me parece um milagre.
Quando conheci a Rafaela em uma publicação no Instagram, lembrei que alguns milagres não são alcançáveis somente por meio de orações. Há alguns meses sua mãe faleceu por causa de uma enfermidade. Hoje a própria Rafaela luta contra uma doença que a força a visitar uma clínica para fazer transfusão de sangue dia sim e dia não.
Para que ela possa fazer uma cirurgia, iniciou uma campanha de arrecadação de fundos para custear os cuidados médicos.
Diante disso o que a Rafa precisa não é que eu coloque seu nome em um trabalho de escola, nem que eu mande um sorvete para alegrar seu dia e muito menos que, embora importante, eu a coloque em minhas orações diárias. Ela precisa de recursos.
Adoraria ser rico para contribuir sozinho, mas não sou. E talvez este texto seja algo que eu possa fazer para que ela consiga juntar tudo que precisa o mais rápido possível. Você que está lendo este texto também pode fazer essa diferença.
Ela criou uma rifa solidária que pode ser acessada clicando AQUI!
Além de participar da rifa, você pode compartilhar este texto com alguém que você sabe que pode ajudar.
Que você tenha um ótimo final de ano, desejo que seus problemas sejam resolvíveis com alimentação adequada e exercício físico e que o maior problema que você tenha que resolver seja comer ou não arroz com uva passa.
Porque existirão muitas pessoas que estarão esperando um milagre de natal.
Um abraço e até ano que vem!



