Flerte Analógico
Como conhecer pessoas em um mundo não digital?
Estou experimentando, mais uma vez, ficar sem usar o Instagram. Não saí da rede social, somente deletei o aplicativo do meu celular. Ainda consigo acessar pelo computador, se eu quiser. Faz praticamente uma semana que fiz isso e já estou sentindo os efeitos e neste texto eu falo sobre eles.
Uma coisa que veio em meus pensamentos foi tentar puxar em minha memória como eu fazia para conhecer pessoas — no sentido de relacionamento — antes das redes sociais. Minha primeira namorada real oficial foi em 2010, nessa época utilizávamos o Orkut e lembro que, minhas primeiras “investidas” na minha primeira namorada foram por meio dessa rede.
Se você não lembra, aqui em baixo tem um print de como era :
Tínhamos nossa descrição, no lado direito tínhamos os amigos e algumas comunidades para fazer parte. Lembro que minha autenticidade me prejudicava um pouco, pois fazia parte de comunidades tipo: “Perdi minha bicicleta”, pois eu acreditava na bondade da humanidade e sempre que deixava uma bicicleta encostada em algum lugar, roubavam, pois eu não as prendia com cadeado.
Afinal, eu cresci, até minha adolescência, em uma cidade do interior — bem interior — onde a criminalidade não era engatilhada por brinquedos de crianças nas ruas.
Minha preocupação com a criminalidade nessa época era com o velho do saco, o sereno, o opala preto — como se eu tivesse o conhecimento para identificar carros — as tatuagens de chiclete cheia de drogas e o chupa cabra.
Vivi nessa cidade até os doze anos, só depois fui para uma cidade um pouco maior, onde bicicletas já eram coisas roubáveis e interessantes aos olhos alheios.
Mas voltando ao Orkut, uma das melhores características era poder deixar ou receber depoimentos na página principal das pessoas. Receber o depoimento de uma menina bonita, Meu Deus!, era o ápice da popularidade e eu, claro, tinha depoimento das meninas mais bonitas, da minha família.
Tinha também a opção de deixar uns corações, diamantes e mais um que eu não lembro agora, mas que significavam, explicitamente, algo como: legal, lindo e … a outra coisa que não lembro.
Depois dos doze anos, foram quase mais dez anos em que eu vivi uma vida sem precisar de redes sociais para dar uns beijos nas meninas. Não que eu fosse o mais “beijoqueiro”, mas também não podia reclamar.
Só quem sem redes sociais, como isso acontecia?
Bem, talvez você não tenha vivido a mesma época, mas tinha um tempo em que as interações com outros humanos acontecia fora da escola. A gente brincava na rua até o anoitecer, e praticamente toda vizinhança participava das brincadeiras. Ali era possível conhecer as meninas bonitas do bairro.
Quando criança, tive a grande alegria e sorte de aprender tocar violão bem o suficiente para participar de grupos onde havia pessoas: igreja.
Na igreja eu cantava e tocava na missa. Isso me tornava uma pessoa interessante para os olhos de algumas meninas. Oh, glória!
A escola era um problema pra mim porque o que acontecia na juventude, não sei se ainda é assim, mas para você ser popular, principalmente nas escolas em que estudei, você precisava ser bonito, parecer rico ou jogar um esporte muito bem. Eu não fazia parte de nenhum dos três grupos.
Atualmenete estou melhorzinho. Teve até uma época em que fui profissional de tênis de mesa, mas não me imagino ficando mais atraente por isso. Me imaginei chegando pra Anna de Armas ou a Sydney Sweeney e falando no ouvidinho delas: “Sabia que eu já fui bi-campeão do JESP?”
Por isso, foi fora dos muros escolares que eu tive as melhores oportunidades.
Ao tocar violão na igreja, eu viajava muito para outras cidades para animar encontros de jovens. Como esses encontros eram de muitos dias seguidos, sempre rolava um esqueminha atrás da igreja. Thanks God!
Me sentia um Christian Rockstar.
O tempo passou, entrei na faculdade e fui fazer qual curso? Matemática. A proporção de mulheres nesse tipo de curso era bem baixa. Pior, não querendo generalizar, talvez hoje seja diferente, mas a habilidade de participar de festas universitárias era praticamente nula. E pior ainda, eu não bebia na época.
Sério, eu perdi a virgindade porque Deus gostava muito de mim, eu acho, por causa de todo meu trabalho missionário que fiz tocando violão nas igrejas por aí a fora. Porque se fosse depender dos rituais sociais universitários, não aconteceria.
Depois das redes sociais a vida ficou mais fácil nesse sentido. As interações de interesse são muito mais fáceis de identificar. Tanto para demonstrar quanto para receber. Todos os meus relacionamentos, sérios ou não, aconteceram com algum tipo de interação nas redes sociais.
E agora sem utilizar o Instagram para ser uma pessoa social, estava pensando como fazer para criar oportunidades de relacionamentos afetivos. O primeiro efeito, portanto, foi descobrir que determinados tipos de interações possibilitadas por esse aplicativo fazem falta no mundo real e preciso me adaptar à essa nova realidade.
Se tiver dicas, deixe nos comentários!
Um abraço!





